— Leituras —
Diana Fernandes (A77547)
Capítulo escolhido: Paraskeva, J. M. (Org.) (2008). Currículo como prática [regulada] de significações. Educação e Poder: Abordagens críticas e pós-estruturais. Mangualde: Edições Pedagogo. Pp. 135-168
Biografia do autor:
João Manelau Paraskeva

- Nasceu em Maputo
- Concluiu o ensino médio e secundário sob o estado marxista-leninista;
- Formou-se em Ciências Humanas (grego, latim e Português), Mestrado em Educação, com ênfase em Estudos Curriculares e doutorado em Educação em Estudos Curriculares;
- É especialista em Estudos Políticos, Liderança Educacional, Teoria e desenvolvimento Curricular, Teoria Critica, Metodos Qualitativos e Teoria do Sul;
- Leciona cursos do programa de Doutoramento em Liderança Educação e Estudos de Política, Mestrado de Políticas Públicas e Mestrado de Artes e Ensino;
- Professor Auxiliar no Instituto de Educação e Psicologia da Universidade do Minho;
- Professor Visitante na Universidade de La Coruna (Espanha), Universidade Federal de Pelotas (Brasil), Universidade de Florença (Itália), e da Universidade de Miami, Oxford, Ohio.
- É professor associado da University of Massachusetts, Dartmouth, School of Education.
- Os seus interesses de pesquisa são profundamente interdisciplinares e concentram-se sobre a relação entre a política social, educação e currículo dentro da dinâmica da produção ideológica;
- Paraskeva mostra um interesse emergente em Teoria do Sul e na sua interação com as políticas sociais.
- Com mais de 40 livros publicados;
- É fundador da revista Currículo sem Fronteiras e coordenador de inúmeras coleções no campo da educação e do currículo.
- Tem
traduzido para a língua portuguesa inúmeros trabalhos de intelectuais críticos
dos EUA, Reino Unido.
Resumo da obra:
Neste livro, Educação e Poder: abordagens críticas e pós-estruturais, organizado por Paraskeva (2008), que para além de organizador também é autor de um dos capítulos.
Assim, o sexto e último capítulo, Currículo como prática (regulada) de significações, é escrito por, João M. Paraskeva, sendo que esta dividido em 3 temas: 1 - Políticas curriculares como texto; 2 - Políticas curriculares como discurso; 3 - Currículo como prática [regulada] de poder.
O autor deste capítulo, realça a importância do currículo, pois este não deve ser apenas um documento escrito, visto que este " expressa as intenções vertidas numa determinada politica curricular que se elabora na base de conflitos e compromissos, avanços e recuos, expressão natural de um documento que deve ser entendido como um texto e como um discurso construído para e a partir de uma prática - regulada - de poder." Paraskeva (2008).
O texto curricular, permite um variado mar de significações e intenções cruzadas, fazendo com que se circulem. Ou seja, contem ambiguidades, contradições e omissões que fazem com que cada um faça a sua própria interpretação. Assim, o texto curricular impõe uma determinada política oficial, definindo o campo e os limites do que pode ser dito. Surgindo como uma questão de política intimamente relacionada com o poder, controlo e manipulação. Pois aqui a política curricular, é uma relação de poder.
As políticas curriculares como discurso, pode ser interpretada com um "campo de lutas, disputas, conflitos e ajustamentos" Paraskeva (2008), Sendo também esta, uma relação de poder. Pois assistimos, e assumimos, a existência de um discurso dominante que configura as políticas curriculares. Pouco importa o que os outros pensam, pois apenas algumas vozes serão ouvidas.
A política curricular é uma prática regulada de significações, uma prática discursiva, quer em texto quer em discurso. Onde delimitam a natureza e o desenvolvimento das relações de poder. O autor frisa a importância do respeito e da inclusão dos vários conhecimentos dados pelo ser humano.
Citações:
" Enquanto campo de construção de conhecimento, o currículo expressa as intenções vertidas numa determinada politica curricular que se elabora na base de conflitos e compromissos, avanços e recuos, expressão natural de um documento que deve ser entendido como um texto e como um discurso construído para e a partir de uma prática - regulada - de poder." (Paraskeva, 2008, p. 136)
" Enquanto campo de construção de conhecimento, o currículo expressa as intenções vertidas numa determinada politica curricular que se elabora na base de conflitos e compromissos, avanços e recuos, expressão natural de um documento que deve ser entendido como um texto e como um discurso construído para e a partir de uma prática - regulada - de poder." (Paraskeva,2008, p. 136)
" Deste modo, a política curricular pode sr interpretada como um campo de lutas, disputas, conflitos e ajustamentos que, contudo, ocorrem nos espaços delimitados pelo discuso que corporiza as políticas curriculares" (Paraskeva, 2008, p.145)
Reflexão crítica:
Tal como Paraskeva, o currículo sendo um espaço onde se concentram e se desdobram as lutas em torno dos diferentes significados sobre o social e o político. Que produzem politicas curriculares, partindo de grupos que formulam suas próprias ideias. Este deve ser questionado e redigido num documento construído para e a partir de uma "prática regulada de poder".
Vivemos num mundo, em que estamos regularmente a ser manipulados, por diversas formas de manipulação. Pois o facto de uma política curricular em texto e também em discurso, levar com que haja uma determinada interpretação, onde há uma certa delimitação do que pode ser dito, é um acto de manipulação, evidenciado pela relação de poder. Sendo que esta também não pode ser compreendida se não se entende os assuntos que nela operam.
Eduarda Guimarães (A77064)
Capítulo escolhido: Popkewitz, T. S. (2008). A escolaridade e a exclusão social. In J. M. Paraskeva (Org.), Educação e Poder: Abordagens críticas e pós-estruturais. Mangualde: Edições Pedagogo. Pp. 109-133
Biografia do autor:
Thomas Popkewitz


- Professor na Universidade Wisconsin-Madison Escola Superior de Educação, EUA.
- Os seus estudos ocupam-se dos conhecimentos que regem a política educativa e investigação relacionados com a pedagogia e a formação de professores.
- A sua investigação está relacionada com as histórias dos estudos atuais, etnográficos e comparativos de reformas educacionais nacionais na Ásia, Europa, América Latina, África do Sul e os EUA.
- Autor e editor de cerca de 30 livros, 200 artigos em revistas e capítulos de livros.
- Vencedor de prémios pelos seus contributos para os estudos educacionais.
- As suas obras foram traduzidas em 12 idiomas: chinês, francês, alemão, grego, húngaro, japonês, russo, norueguês, português, espanhol, sueco e dinamarquês.
- A "criança universal", consagrada nas reformas curriculares da União Europeia e dois Estados Unidos como cosmopolita inconcluivo, ou seja, o aluno tem espírito crítico, respeita a diversidade, é autónomo, responsável, promove a mudança e a inovação, resolve os problemas e trabalha em comunidade, através da formação que o orienta, contribuindo então para o progresso da sociedade.
- A "criança marginal", classificada como tendo necessidade de recuperação por não atingir um bom desempenho académico.
Resumo da obra:
O autor inicia o capítulo, com uma questão: "Pode a escolarização por si só, garantir a edificação de sociedades mais justa?"Ele defende que a escola moderna pode assumir uma dupla funcionalidade: as qualidades de esperança (aluno ideal) , na medida de atingir e conquistar uma sociedade mais progressista, mais igual e mais justa. E, o receio (do aluno não ideal- criança marginal) no sentido de certos grupos possivelmente perigosos não contribuirem para que Sociedade possa progredir, por não estarem "à altura" do ideal que era suposto nas políticas dos Estados Unidos. Assim, como objetivo, tem o intuito de criar programas de educação que seja igual para todos para poder então, conseguir uma sociedade mais inclusiva e mais democrática. Porém, segundo o autor, as políticas educativas de inclusão, originam problemas de exclusão.
Para que uma sociedade possa evoluir é necessário passar pelo ensino e pela capacidade de cada indivíduo em se adaptar às novas dinâmicas da sociedade do conhecimento, multiculturalismo/interculturalismo.
Então, as tipologias pedagógicas devem liderar para que assim realmente se possa conquistar uma sociedade inclusiva, pois todas as crianças têm o direito de aprender.
Para isso, tem que se assegurar um tratamento igual para todos, independentemente da origem,etnia, entre outros, bem como garantir um programa igualitário, pois assim o insucesso escolar é explicado pelo desempenho individual dos alunos.
Daí advém o empowerment, cosmopolitismo e sociedade do conhecimento, que notoriamente estão na base da afirmação de que todas as crianças aprendem e transformam a sociedade.
Nesta linha de pensamento é possível verificar que a seleção de conteúdos académicos baseados na cultura de elite prejudica as minorias, visto que as suas normas culturais não estão representadas. Por outro lado, aqueles modelos originam dois tipos diferentes de crianças:
Em suma, o autor defende a sua tese quando conclui que as práticas de inclusão, são simultaneamente de exclusão devido à dicotomia esperança/receio presente na política do conhecimento educativo. Ou seja, realmente há o desejo de esperança de lutar por uma sociedade mais justa e igualitária, porém, há o receio de que esses mesmo aspetos possam suscitar o efeito contrário.
- "(...) a esperança de poder contribuir decisivamente para uma sociedade mais igual e justa e, por outro lado, o receio de determinadas franjas populacionais tidas como perigosas para o progresso dos Estados Unidos" (Popkewitz, 2008, p. 109)
- "A esperança numa boa sociedade para o futuro através da formação de uma criança presente,atenta e reflexiva, atravessa um mar de receios ameaçadores." (Popkewitz,2008, p. 110)
- "O reconhecimento da inclusão consiste em imaginar um todo unificado no qual a criança é diferenciada a partir de noções tácitas da normalidade" (Popkewitz, 2008, p. 113)
Citações:
Reflexão crítica:
Estou em total acordo com o autor Thomas Popkewitz. Considero que a escola não reconhece a diferença, no sentido de respeito e igualdade.
De acordo com as reformas políticas que acima vimos, consigo denotar que existe muita exclusão. Exclusão de saberes, qualidades, competências, entre outras que tendem a ser desvalorizadas. No que toca às "crianças marginais", não apresentam "condiçoes" e representam receio por não estarem adaptados às categorias de aprendizagem que tem como objetivo identificar as qualidades que o aluno modelo deve possuir. Logo, presumem que essas crianças não têm sucesso e não contribuem para o progresso da sociedade. Ao invés de tentar um método de inclusão que desperte interesse ao aluno marginal para progredir a nível pessoal e académico, praticam a exclusão.
Assim, considero que deviam-se adotar políticas que primassem pela igualdade, aceitação das diferenças e que sobretudo existisse uma maior preocupação para a estimulação de qualidades de modo a acabar com qualquer tipo de esteriotipos.
Patrícia Coutinho (A77901)
Capítulo escolhido: Pereira, D. M. (2008). Uma pedagogia anti método. A perspetiva Freiriana. In J. M. Paraskeva (Org.), Educação e Poder: Abordagens críticas e pós-estruturais. Mangualde: Edições Pedagogo. Pp. 13-23
Biografia do autor:
Donaldo Macedo Pereira

- Teórico crítico cabo-verdiano-americano, linguístico, e especialista em alfabetização, pedagogia crítica e os estudos de educação multicultural.
- Professor de Inglês e um distinto professor de Artes Liberais e Educação da Universidade de Massachusetts Boston.
- Foi Diretor Graduado do Programa da Linguística Aplicada Mestre do Programa de Artes da Universidade de Massachusetts Boston.
- Publicou extensivamente nas áreas da linguística, alfabetização crítica e educação bilíngue e multicultural. As suas publicações incluem: Alfabetização: Leitura da Palavra e do mundo (com Paulo Freire, 1987), Literacias de Poder: O que os americanos não estão autorizados a saber (1994), Dancing With Bigotry (com Lilia Bartolome, 1999), Educação Crítica no nova Era da Informação (com Manuel Castells, Ramón Flecha, Paulo Freire, Henry Giroux e Paul Willis, 1999), Chomsky sobre Miseducation (com Noam Chomsky, 2000) e Matéria Ideologia (co-autoria com Paulo Freire, 2002).
- O trabalho de Macedo na tradução e edição de livros de Freire, bem como a sua pesquisa individual sobre a pedagogia de Freire tem sido significativo para todo o campo da pedagogia crítica.
- Editou uma série de livros de Freire e publicou diversos diálogos com Freire.
- Macedo foi criado em uma comunidade imigrante em Dorchester, Massachusetts. O seu envolvimento em trabalho político das comunidades de base informa a pesquisa académica.
Resumo da obra:
Contra o insucesso escolar, alguns educadores liberais ou neoliberais redescobriram Freire como alternativa a um modelo educacional mais conservadora. Eles reivindicaram a pedagogia de Freire ao adotar uma atitude paternalista para esses estudantes ou comunidades que tentam capacitar-se. Esses educadores também tentaram estruturar o debate educacional em termos de concorrência e privatização. Eles reduziram a pedagogia de Freire a um método sem levar em conta o fato de que as ideias principais de Freire transcendessem um mero método para guiar-nos para o pensamento crítico e para a consciência da nossa própria presença no mundo. O método dialógico, se tomado apenas como um método, podem ser constituído por mais do que um grupo de terapia simples. No entanto, se nós nos movemos para além do seu conteúdo metodológico, o diálogo Freiriana envolve um projeto político inteiro que tem o objetivo de desmantelar as estruturas opressivas. A pedagogia anti método recusa paradigmas metodológicos rígidos e faz-nos ver o diálogo como uma forma de práxis social. Desta forma, a partilha de experiências destina-se a reflexão e ação política. A pedagogia anti método liberta-nos de certezas e especialidades e promove a nossa crítica.
Citações:
- "Deixou de fazer sentido
argumentar que a pedagogia de Paulo Freire é apenas válida em contextos do
Terceiro Mundo" (Pereira,2008, p.13)
- "Uma sociedade que
associa a democracia a privatizações orientadas para o lucro é, com efeito, uma
sociedade cujas prioridades estão baralhadas." (Pereira,2008, p.15)
- "Ao recusarem a ligação dessas experiências á crítica democrática, estes educadores reduzem a sua pedagogia a uma forma de narcisismo típico de classe média." (Pereira,2008, p.18)
- "A pedagogia antimétodos
obriga-nos a olhar para o diálogo como uma forma de prática social, de maneira
que a partilha de experiências seja informada pela reflexão e pela ação
política." (Pereira,2008, p.22)
João Santos (A76927)
Capítulo escolhido: Sacristan, J.G.(2008). A construção do discurso da diversidade e as suas práticas. In J. M. Paraskeva (Org.), Educação e Poder: Abordagens críticas e pós-estruturais. Mangualde: Edições Pedagogo. Pp. 69-95
Biografia do autor:
José Guimeno Sacristan

- Professor de Educação e Organização Escolar na Universidade de Valência;
- Tem sido um professor da Universidade Complutense de Madrid e da Universidade de Salamanca;
- Visitar outras universidades espanholas e estrangeiras;
- Em 2010 ele foi nomeado Doutor Honoris Causa pela Universidade de Málaga;
- No ano seguinte, ele recebeu o mesmo reconhecimento da Universidade de San Luis, na Argentina;
- Foi consultor para o ministro da Educação e Ciência, José Maria Maravall, o primeiro governador socialista na Espanha apos ditadura.
- Pedagogo Crítico e intelectual profundamente comprometida com a modernização, inovação, e educação melhorando
- Colabora com várias instituições para modernizar a escola de espanhol.
- Publicou diverso livros e capítulos.
Resumo da obra: José sacritán autor do capítulo, " A construção do discurso da diversidade e as suas práticas", do livro "Educação e Poder" desmistifica o conceito de diversidade e diferença, contextualizando as suas práticas. No ponto de vista do autor, a diversidade pode ser anulada se as políticas e práticas estiveram a favor da igualdade, se bem que o contrário pode trazer desigualdades. Tudo isto parece não ter solução, mas as reflexões do autor trazem para debate várias práticas educativas. O autor afirma que a escola é o primeiro espaço público que se torna essencial para a vida. Mas como a escola é um processo gradual organizado, esta está dividida em dois aspectos: o desenvolvimento curricular e o progresso escolar. Neste capítulo o autor realça que a pretensão do igualitário gera um afastamento individual em oposto ao que se realmente pretende e se define como padrão ( atraso, progresso, êxito, fracasso, normalidade). O facto de ser difícil implementar no redime escolar um contexto individual e um progresso no sujeito numa escala geral, para o autor podem ser evidenciadas algumas estratégias, como por exemplo: chegar a um consenso sobre o que se deve conhecer e ser garantido a todos, valorizar uma pedagogia que se apoia na diversidade de formas de trabalhar dando valor a modelos que melhor se adaptem às suas individualidades, criar espiríto de equipa e cooperação entre os alunos, valorização do indíviduo, dispondo de itinerários formativos.
Estas estratégias que respondem à necessidade de uma "pedagogia da complexidade" que procura um ensino para turmas heterógeneas é um grande desafio.
Citações:
- "Toda a ação pedagógica e toda a prática têm um determinado sentido, razões que temos que entender e que, na maior parte dos casos não são evidentes" (Sacristan,2008, p.69-70)
- "Queremos salientar que a diversidade- e também a desigualdade - são manifestações normais dos seres humanos, dos factos sociais, das culturas e das respostas dos indivíduos perante a educação nas aulas." (Sacristan, 2008, p.71)
